Galeria Leme

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JANELAS QUE ABREM PARA DENTRO

Foto: Lara Maia

A Galeria Leme e a Central Galeria têm o prazer de apresentar Janelas para dentro, mostra com curadoria de Guilherme Wisnik que ocupa uma casa residencial em São Paulo com obras de mais de vinte artistas contemporâneos. Partindo dos paradoxos presentes no próprio local – um projeto de Paulo Mendes da Rocha de 1970 que visava incorporar a paisagem urbana no espaço doméstico –, os trabalhos guardam forte relação com a arquitetura, atravessando polaridades como o monumental e o cotidiano, o público e o privado.

Artistas

Ana Elisa Egreja, Bruno Cançado, C. L. Salvaro, Candida Höfer, Carmela Gross, Débora Bolsoni, Fernanda Fragateiro, José Carlos Martinat, Mano Penalva, Marcelo Cidade, Marcius Galan, Marilia Furman, Michael Wesely, Raphael Escobar, Ridyas, Sandra Gamarra, Sergio Augusto Porto, Vivian Caccuri, entre outros.

Serviço

Endereço: Rua Circular do Bosque, 628 / São Paulo

Datas: 29 agosto – 10 outubro 2021

Visitação (apenas com agendamento prévio): Sábado – Domingo, 12h–-17h


Janelas que abrem para dentro

por Guilherme Wisnik

Uma mostra de arte na Casa Millan, projetada por Paulo Mendes da Rocha em 1970. Não se trata, simplesmente, da ocupação de um espaço doméstico como se fosse um museu, ou uma galeria. Mas sim de um conjunto de intervenções artísticas – algumas já existentes, outras do tipo site specific – em um dos espaços mais radicais já produzidos pela arquitetura brasileira e mundial.

Concebido no auge da repressão ditatorial no país, esse projeto incorpora um grau de experimentalismo inédito, reinventando os modos de se morar em família. Para tanto, usa asfalto no piso da sala de estar, abre as janelas dos quartos para dentro da casa – num espaço de pé-direito duplo onde ficava a cozinha –, e opta por não vedar os sons e odores dos cômodos, já que muitas das paredes não chegam ao teto.

Caracterizando as casas de Mendes da Rocha daquele período, o professor Flávio Motta descreve o espaço criado como “projeto social”, cujo despojamento supõe um “relacionamento do viver meio favela racionalizada”, onde “cada um aceita o convívio com os demais, sem muradas sólidas, mas dentro de novas e procuradas condições de respeito humano”.[1]

Era um momento muito intenso da história política e social do Brasil, logo após o AI-5, quando Hélio Oiticica começava a viver em seus penetráveis, na Whitechapel Gallery, em Londres, fazendo do espaço público a sua casa. Já em São Paulo, o que Mendes da Rocha buscava o inverso: urbanizar a vida doméstica, isto é, tensionar ao máximo possível a intimidade, extirpando as marcas idiossincráticas pessoais ligadas à ideia romântica e burguesa de lar. Seu desejo, portanto, era problematizar o espaço privado, e seus segredos, em prol de uma ideia cívica de vida inteiramente pública: a casa como um fórum da vida coletiva da cidade, onde a liberdade de cada um é pautada pela liberdade do outro, pois as regras da ordem coletiva é que devem controlar o arbítrio da vontade individual. Uma casa inteiramente exteriorizada, ainda que espacialmente introvertida.

Toda de concreto aparente, com luzes que entram zenitalmente por claraboias, a casa tem uma austeridade que é também lúdica, com uma piscina na fachada frontal, e uma bela escada engastada na empena de concreto, cujo patamar se transforma em trampolim para a piscina. A escada que nos leva à laje de cobertura, com um jardim de plantas aquáticas, que permite desfrutar da bela visão do arvoredo do Bosque do Morumbi.

Organizada pelas galerias Leme e Central, com um conjunto de mais de vinte artistas contemporâneos representados por galerias diversas, esta mostra busca dialogar criativamente com os ambientes da casa, que já é, em si, uma obra de arte. Diálogos que funcionam tanto por afinidade como por subversão, estabelecidos aqui por artistas que operam com a temática da cidade e incorporam em seus trabalhos os problemas e os elementos da esfera urbana, criando curtos-circuitos e atravessamentos entre polaridades como o urbano e o doméstico, o cotidiano e o monumental, o formal e o informal, a elite e a periferia.  


[1] MOTTA. Flávio. Paulo Mendes da Rocha. Acrópole no 343. São Paulo: setembro de 1967.

9 horas atrás

LUIZ BRAGA: MÁSCARA, ESPELHO E ESCUDO

Barqueiro Azul, 1992

Com curadoria de Paulo Miyada e Priscyla Gomes, a exposição realizada no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, reúne pela primeira vez um conjunto de retratos em cores feitos por Luiz Braga nas últimas quatro décadas. Com abertura no dia 13 de agosto, a mostra ocorre até o dia 12 de dezembro.

Nascido em Belém, Pará, Luiz Braga é conhecido como o cronista das cores e dos signos cotidianos do Pará. Adentrando a realidade periférica paraense, o artista registra de maneira singular a atmosfera amazônica e um cotidiano muitas vezes negligenciado pela classe média local. O envolvimento do artista ao longo dos anos com a população criou uma cumplicidade que torna possível seus retratos. A fotografia, escreveu Luiz Braga, é máscara, espelho e escudo. É uma mediação, uma zona de contato em que aquele que registra e seu retratado estabelecem um diálogo complexo.

Acesse o site do Instituto Tomie Ohtake para saber mais

9 horas atrás

RAPHAEL ESCOBAR E FREDERICO FILIPPI PARTICIPAM
DA EXPOSIÇÃO COLETIVA “DIZER NÃO”

Há uma pergunta insistente martelando hoje na cabeça de artistas, produtores e pensadores da cultura no Brasil: como reagir às barbaridades do presente? Do negacionismo do governo em relação à pandemia às mentiras deslavadas sobre a política ambiental do país; da condescendência com posturas racistas, transfóbicas, homofóbicas e misóginas à tentativa de flexibilização da posse de armas – até quando vamos tolerar que pessoas sejam mortas, pela covid-19, pela violência contra as minorias, pelas políticas ambientais que destroem, com uma canetada só, uma comunidade inteira, ou mesmo pela “insegurança alimentar” (novo nome da fome, velha conhecida do Brasil)?

​É possível, neste momento, articular uma resposta crítica a partir do campo da cultura? Voltar a pôr a arte no debate público para que ela talvez consiga fazer, por seu questionamento agudo, pelas imagens que cria, pelos afetos que mobiliza, uma crítica ampla e contundente da situação em que nos encontramos? Como continuar produzindo, exibindo publicamente e financiando os projetos atuais? Como pensar nisso tudo quando, muitas vezes, a própria sobrevivência está em risco? Como trabalhar numa época de isolamento social, em pleno desmonte dos precários modos de financiamento das ações artísticas, num momento em que o governo rotula os artistas de “vagabundos”? Não seria necessário parar tudo, negar-se a continuar, a fazer qualquer coisa, numa espécie de recusa radical de tudo o que esse poder instituído representa?

​São estas as perguntas a que este projeto se dirige: pode a arte Dizer Não? O que é viável colocar em marcha hoje? E, como fazê-lo? É possível refletirmos, em conjunto, sobre o que os artistas e demais agentes culturais devem – num sentido ético – fazer ou não fazer? O que cabe a nós nessa situação? Quais os limites de nossas ações?

​É nessa oscilação constante, entre o fazer e o não fazer, que este projeto tomou forma. É entre a vontade de lutar e o luto que nos é imposto cotidianamente, entre a aposta na importância das experimentações simbólicas, de linguagem, de pensamento e o confronto com a morte, com a insignificância da vida, que avançamos e retrocedemos. É preciso continuar. Não posso continuar. É preciso continuar. Vou então continuar. Assim mesmo, ecoando as linhas finais de Beckett em O Inominável, que voltamos e avançamos em movimentos oscilantes, ambíguos, atordoados. 

​Contrariando o discurso que apressadamente decretou a obsolescência das exposições físicas, decidimos tentar mais uma vez. Insistindo na presença do objeto, na possibilidade da fruição corporal, no contato com a matéria. Mesmo num período em que os encontros entre sujeitos tenham de ser rigorosamente regulados. Como organizadores, nós nos propomos a construir, com a ajuda de cada artista que topar a empreitada, duas plataformas complementares: espaço do galpão na Barra Funda e um site. Aqueles que não se sentem inclinados a participar de uma delas podem contribuir com a outra. As declinações deste nosso convite também podem ser compartilhadas publicamente no site, como formas de “Dizer Não”.

​Além deste texto, que apresenta os princípios do projeto, gostaríamos de indicar um grupo de obras – algumas bem conhecidas – que foram presentes no processo de construção dessa proposta. Elas serviram como base conceitual e compõem uma espécie de núcleo, lembrando-nos de que aspectos daquilo a que estamos nos dirigindo já apareceram no trabalho de outros artistas. Cildo Meireles, Fiat Lux: o Sermão da Montanha; Francis Alÿs, Paradox of Praxis 1: Sometimes Making Something Leads to Nothing; Jota Mombaça, Veio o Tempo em que por Todos os Lados as Luzes Dessa Época Foram Acendidas; Juçara Marçal, Encarnado e Regina José Galindo, Monumento a las Desaparecidas.

​Este não é um convite para participar de uma mostra, mas uma proposta de estarmos juntos. Na medida de nossas próprias limitações e das limitações do tempo em que vivemos. Por meio do projeto  tentamos tornar público o que está sendo pensado e produzido nestes tempos sombrios apostando que podemos construir um grande Não em conjunto. 

ORGANIZADORES

Adriana Rodrigues, Edu Marin, Érica Burini e Thaís Rivitti

ARTISTAS

Adriano Machado, Ana Dias Batista, André Komatsu, Bertô, Bruna Kury e Gil Porto Pyrata, Cildo Meireles, Clara Ianni, Craca e Raphael Franco, Cuca Ferreira, Daniel Jablonski, Denise Alves-Rodrigues e Pablo Vieira, Edu Marin, Elizabeth Slamek, Fernando Burjato, Flora Leite, Frederico Filippi e C. L. Salvaro, Graziela Kunsch, Isael Maxakali, JAMAC, João Loureiro, Juçara Marçal, Kadija de Paula & Chico Togni, Kauê Garcia, Laura Andreato e MuitasKoisas, Leda Catunda, Lia Chaia, Lícida Vidal, Lucimélia Romão, Marcelo Amorim, MUSEUL*RA, Paola Ribeiro, Rafael Amorim, Raphael Escobar, Regina José Galindo, Rochelle Costi, Shima, Sol Casal, Vânia Medeiros, Wagner Pinto

DESIGNERS

Elizabeth Slamek, Lia Assumpção, Roberta Cardoso

QUANDO

De 22 de Julho a 19 de Setembro de 2021

ONDE

Rua Cruzeiro, 802 – Barra Funda. São Paulo – SP

APOIO

Ateliê 397

Apoie a mostra

3 semanas atrás

JAIME LAURIANO PARTICIPA DA MOSTRA “ZONA DA MATA”,

NO MAC USP E MAM

Confira o release:

Zona da Mata corresponde geograficamente à faixa litorânea da região nordeste do Brasil, paralela ao Oceano Atlântico, que se estende do Rio Grande do Norte até a Bahia. Trecho da Mata Atlântica original, hoje quase extinta na região, foi solo fértil explorado de modo predatório. Porta de entrada para a colonização, é historicamente um território de conflito, instaurado no modo de invasão e ocupação, matriz de destituição dos povos originários e da diáspora afro no país.

Essa exposição adota o termo Zona da Mata como metáfora simbólica, não apenas no sentido da geografia física, no enfrentamento necessário do desafio de tratarmos da violenta constituição de nosso território. Frente à exploração predatória de pessoas e lugares, como restituir dignidade ao que precisamos reconhecer como nossa morada? É incontornável repactuar nossa condição humana na indissociável relação entre cultura e natureza.

Diante do Brasil em febril convulsão, violentamente retrógrado, Zona da Mata é hoje todo o País. Alinhados ao desafio mundial, precisamos mais do que nunca nos reposicionarmos frente ao nosso pacto de país e sociedade, a começar por reconhecer saberes ancestrais que não soubemos acalentar, sem aprisioná-los em um passado histórico, mas como parte fundamental de nosso desejável presente.

A exposição se organiza em quatro partes em diferentes espaços e com distintas temporalidades. Por isso, nunca estamos diante da totalidade da mostra, mas apenas de fragmentos. Ocorre no MAC USP (5o. andar ala B e térreo) durante toda a extensão de tempo e no MAM (na sala de vidro em dois tempos). Usufrui da condição de necessário atravessamento, mais ágil no percurso feito a pé do que motorizado, para articular os dois pontos avizinhados, desconectados a posteriori do projeto de transformação do Ibirapuera em 1954, onde originalmente se encontrava uma mata alagadiça – “mata que já foi mata” em Tupi Guarani. Intenta um ir-e-vir aderente ao chão da cidade, endereçada ao presente e ao porvir, no pacto indissociável de uma paisagem compartilhada e simultaneamente desviada, a partir da singularidade vibrante de cada obra convidada e do acervo de ambas as instituições que integram essa mostra-paisagem.

Ana Magalhães
Cauê Alves
Marta Bogéa
Curadores

1 mês atrás

Vivian Caccuri apresenta Bass Mass na High Line Art

Bass Mass, 2021

Convidada para o programa “The Musical Brain” da High Line Art, Vivian Caccuri apresenta a obra “Bass Mass”, 2021, em Nova York, EUA.

Em exibição no parque High Line até março de 2022, “Bass Mass” é um desdobramento da obra “Odebrecht SoundSystem”, 2016, também de Vivian Caccuri. A instalação sonora da artista, composta por um sistema de som do funk carioca (geralmente chamado de “paredão”) e coberto com vidros espelhados, semelhantes aos utilizados em prédios da região, está localizada abaixo do Standard Hotel. Ao longo do programa, apresentações de dança e música serão realizados em conjunto com a obra, tendo trilha sonora composta por Vivian Caccuri e o produtor musical Mulú.

Odebrecht soundsystem, 2016

3 meses atrás