Galeria Leme

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CALDER NOW: A INFLUÊNCIA DURADOURA E INCONFUNDÍVEL DE ALEXANDER CALDER

No dia 21 de Novembro abre a exposição coletiva Calder Now, no Kunsthal Rotterdam, na Holanda. Com curadoria de Dieter Buchhart, Anna Karina Hofbauer e a Fundação Calder, a mostra explora a influência duradoura e inconfundível do mestre em escultura Alexander Calder na arte contemporânea, colocando mais de vinte esculturas suas ao lado de obras de dez proeminentes artistas: Olafur Eliasson, Žilvinas Kempinas, Simone Leigh, Ernesto Neto, Carsten Nicolai, Aki Sasamoto, Roman Signer, Monika Sosnowska, Sarah Sze e Rirkrit Tiravanija. A mostra encerra para visitação em maio de 2022. 

Alexander Calder (Estados Unidos, 1898-1976) instigou muitas inovações artísticas revolucionárias. Em sua busca para ir além das três dimensões espaciais – tornando a quarta dimensão do tempo um elemento proeminente e indispensável de sua obra – Calder conseguiu transformar a compreensão contemporânea da escultura. Ele foi o primeiro a remover a escultura de seu pedestal, suspendendo-a no ar. Com seus móbiles dinâmicos que podiam se mover livremente no espaço, ele foi um dos pioneiros – ao lado de artistas como Marcel Duchamp e László Moholy-Nagy – do movimento de arte cinética que revolucionou a natureza estática da arte no início do século XX. Calder se tornou uma fonte de inspiração para as gerações subsequentes de artistas.

Os dez artistas internacionais em Calder Now mostram peças que não poderiam ter existido sem a precedência de vários aspectos inovadores da obra visionária de Calder. A exposição conduz o visitante por uma experiência multissensorial. Olafur Eliasson, por exemplo, usa fenômenos naturais como a luz para explorar a percepção. Simone Leigh conta histórias sobre a história da escravidão americana por meio de materiais humildes. E Monika Sosnowska transforma materiais arquitetônicos em esculturas inesperadas que desafiam a gravidade, criando novas conexões visuais entre sua arte e o espaço de exposição. O laureado com o Prêmio Calder 2007 Žilvinas Kempinas, cujas esculturas estão na intersecção da instalação e da arte cinética, vai estrear uma nova peça para ‘Calder Now’. Da mesma forma, Aki Sasamoto criará um novo trabalho performático especialmente para a exposição durante sua residência no Atelier Calder, que opera na casa e no estúdio de Calder em Saché, França. A exposição mostra como o legado de Calder continua a inspirar e informar a prática contemporânea cinquenta anos após a morte do artista. Esses artistas inovadores convidam a novas conversas e interpretações de sua obra.

SERVIÇO

Calder Now, exposição coletiva

Datas: 21.11.2021 – 29.05.2022 / terça a domingo – 10h – 17h

Local: Kunsthal – Museumpark, Westzeedijk 341 -3015 AA Rotterdam, Holanda

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4 semanas atrás

FLÁVIO CERQUEIRA PARTICIPA DE “BRASILIDADE – PÓS MODERNISMO”, EXPOSIÇÃO COLETIVA NO CCBB-RIO

Foto: Jaime Acioli

A exposição Brasilidade – Pós Modernismo celebra o centenário da Semana de Arte Moderna de 1922 por meio de traços, remanescências e conquistas para a arte contemporânea brasileira. A mostra é dividida em seis núcleos: Liberdade, Identidade, Natureza, Futuro, Estética e Poesia, e reúne obras de 51 artistas brasileiros de diversas gerações, entre eles Flávio Cerqueira, representado pela Galeria Leme.

Confira os trabalhos de Flávio Cerqueira presentes na mostra:

A visitação acontece de 1 de setembro a 22 de novembro. A entrada é gratuita, mediante reserva de ingressos através do site.

1 mês atrás

VIVIAN CACCURI EXPÕE TRIÂNGULO SARCÓFAGO EM MOSTRA NO MANA CONTEMPORARY, EM MIAMI

Our breath allows us to do incredible things [Nossa respiração nos permite fazer coisas incríveis] é o primeiro Pop Up do The55Project. A exposição explora pinturas, esculturas, fotografias e muitas outras mídias, de 12 artistas brasileiros, dentre eles Vivian Caccuri. Com curadoria de Felipe Hegg, a mostra tem abertura no dia 29 de novembro no Mana Contemporary, em Miami.

A artista expõe a série Triângulos, que reúne elementos relacionados a música, espiritualidade e simbolismo, aludindo aos vários significados do elemento triangular e os aspectos ritualísticos da arte, por sua aptidão para reunir as pessoas e sugerir a coexistência de aspirações comuns e sentimentos.

Serviço

Our breath allows us to do incredible things [Nossa respiração nos permite fazer coisas incríveis]

Datas: 29.11 – 11.12.2021

Local: Mana Contemporary

3 semanas atrás

FLÁVIO CERQUEIRA PARTICIPA DE EXPOSIÇÃO AFRO-ATLANTIC HISTORIES,
NO MUSEU DE ARTE DE HOUSTON

A mostra Histórias Afro-atlânticas, exibida no Masp em 2018, chega agora ao museu de arte de Houston, nos Estados Unidos. Com cerca de 130 obras de arte e documentos feitos na África, nas Américas, no Caribe e na Europa ao longo de 500 anos, do século 17 ao 21, a exposição explora a história e o legado do comércio transatlântico de escravos.

Flávio Cerqueira participa com o trabalho Amnésia, no qual discute o processo de embranquecimento da cultura e memória brasileira. “Nessa escultura, a tinta, que representa o embranquecimento, não é suficiente para cobrir todo o menino, a personagem da escultura simboliza a última pessoa a sofrer esse processo. O bronze, que sempre serviu para registrar momentos históricos, reforça a relevância desse fim”, comenta o artista.

Serviço

Afro-Atlantic Histories

Datas: 24.10.2021 – 17.01.2022 / quarta a domingo – a partir das 11h

Local: MFAH – The Museum of Fine Arts, Houston

3 semanas atrás

EM EXPOSIÇÃO NO CCSP, REBECA CARAPIÁ APRESENTA SUA NOVA SÉRIE UM BARCO FEITO PARA AFUNDAR

Foto: Filipe Berndt

Rebeca Carapiá é uma das artistas participantes da mostra 31º programa de exposições do Centro Cultural São Paulo, que fica em cartaz até 27 de fevereiro de 2022.

A artista apresenta a instalação Topografias da Maré Soterrada, um conjunto de 15 esculturas em ferro e três telas. “Este trabalho marca o início da pesquisa Um barco feito para afundar, que propõe um olhar em perspectiva para o território da Península de Itapagipe, região da Cidade Baixa de Salvador, na Bahia”, comenta Rebeca.

Foto Filipe Berndt

Itapagipe é uma bacia da enseada de Tainheiros onde foi constituído o primeiro Polo Industrial de Salvador, transformando-se em seguida em um aterro sanitário, onde as pessoas – em sua maioria migrantes do Recôncavo Baiano – viviam e ainda vivem em condições insalubres nas construções conhecidas como Palafitas. Somente na década de 1950, após muitas mortes por intoxicação, a região iniciou o seu aterramento por pressão popular. Diante do crime ambiental e estrutural, seu bioma e suas histórias se afogam. No fundo desse terreno violado pelo estado e pela industrialização se reflete um cotidiano de tensões sobretudo entre seus moradores e os alagamentos que acontecem a qualquer chuva.

Foto Filipe Berndt

“Ao mergulhar no território em que nasci e cresci, tenho procurado escutar a maré e o terreno para criar, através do encontro entre corpo, memória, ancestralidade e materialidades, topografias, superfícies e rachaduras, onde o ferro retorcido e o cobre das telas contam histórias e espelham o Racismo Ambiental sofrido por territórios vulneráveis que constituem as periferias – em seu nível material e sensível”, dia a artista.

Serviço

31º programa de exposições do Centro Cultural São Paulo

Datas: 6/11/2021 a 27/02/2022 / Terça a sexta, das 10h às 20h / sábado, domingo e feriados, das 10h às 18h.

Local: Rua Vergueiro 1000, São Paulo, Brasil

3 semanas atrás

VIVIAN CACCURI RELATA SOBRE SUA RESIDÊNCIA ARTÍSTICA
NO FESTIVAL VYKSA NA RÚSSIA

A artista Vivian Caccuri ficou em residência artística no Festival Vyksa, na Rússia. Em três semanas, ela desenvolveu uma escultura em aço inédita exposta em cima de um pedestal criado pelo arquiteto Charles Renfro.

“Sabendo que a proposta era fazer uma escultura pública que se tornaria parte do acervo de esculturas do parque da cidade, a ideia que tive foi de criar uma concha acústica na forma de uma balalaika, instrumento russo tradicional”, conta a artista.

A inauguração contou com a performance “Open Balalaika”, com dois músicos russos, Olga Pankatrova e Ustin Derygin, apresentando composições tradicionais, que sofreram modificações propostas por Vivian Caccuri. Introduzindo repetições e mudanças na maneira de tocar, a artista buscou um intercâmbio entre a música russa e a brasileira.

Confira o relato da artista abaixo:

HARD, DEEP E HYPER

O pop russo é enorme, denso e impossível de se resumir, mas uma coisa que posso dizer é que como quase tudo na Rússia, as música deve soar grande, enorme. Os prédios colossais de Moscou e as avenidas gigantes se transformam em efeitos de reverb, ecos e delays em muitas músicas dessa playlist. Uma coisa que ilustra o que estou falando é o nome dos gêneros mais populares nas capitais: hard technohard bassdeep housedrill e hyperpop. Tudo muito. Tudo over. Tudo extra. Muita energia e espaço de sobra. Algumas coisas do hard bass beiram o grotesco e essa é a graça.

Mas existe muita delicadeza também e sons exóticos, longíquos, vozes que nunca ouvi antes na música russa contemporânea. Zveta Sventana que tive o privilégio de conhecer pessoalmente e assistir seu show, me fez entender que muitos russos caucasianos estão na busca de ancestralidade e daquele entreposto de cultura e espírito, coisa que vai na maré contrária do nacionalismo defendido por Putin. Minha playlist inclui um pouco dessa vibe além de alguns hits do momento e canções hiper conhecidas como as da banda soviética KINO (Кино). O vocalista russo-coreano Viktor Tsoi é um dos heróis do final da minha adolescência e é cultuado como uma espécie de Renato Russo infinitamente mais bonito e bi-racial, um Cazuza hétero e por isso melancólico.

 

O CONVITE

“Achava que o resto do meu ano seria só ver Netflix.”

Sendo bem sincera, depois desses últimos meses eu já estava feliz em ficar esse ano todo quietinha na minha casa. Mas o roteirista da minha vida é brincalhão e me trouxe do nada um convite para ficar em residência na Rússia. Por três semanas, eu iria desenvolver um trabalho inédito em aço para o Vyksafest, festival cultural curado por Fyodor Pavlov-Andreevich nessa pequena cidade a quatro horas de Moscou. A escultura criada por mim seria feita em colaboração com a siderúrgica OMK e exibida em cima de um pedestal criado pelo arquiteto Charles Renfro.

Muitas perguntas vieram à tona antes de topar esse convite. Mas a Rússia está fechada com a pandemia! “As embaixadas vão te dar permissão.” Vocês têm certeza que vai dar tempo de fazer uma escultura gigante e uma performance inédita em três semanas? “Sem dúvida!”Essa dose de porralouquice dos russos foi o que me fez apostar no que não sabia.

É importante dizer que não fui sozinha para a Rússia e que minha companhia mudou a minha viagem por completo. Thiago Lanis, meu companheiro que é compositor e músico também iria tocar no Vyksafest, é carioca e um homem preto, o que já faz da experiência dele totalmente diferente da minha. O enredo dele aliás, é muito mais interessante e complexo que o meu.

CHEGANDO NA RÚSSIA

Thiago e eu no metrô. Não é uma foto da nossa chegada, mas gostaria que fosse. Foto tirada por Oksana Sitchuk em Nizhny Novgorod

Na primeira hora na Rússia – que foi bem emocionante com direito a corrida maluca pela estação de trem e entrada no vagão no último segundo – já ficou óbvia a nossa dependência total de tradutores e aplicativos para conseguir fazer o básico. O inglês é bem desnecessário por aqui com raras exceções. Mesmo no aeroporto as pessoas não falavam inglês fluente, muito menos nos trens.

Essa chegada deu o tom da viagem inteira: nesse país eu estarei constantemente correndo contra o tempo e com sérios problemas de comunicação. Não houve nenhum dia sem esses dois anabolizantes de stress.

BALALAIKAS

Ir para o outro lado do mundo durante uma pandemia sendo patrocinada com dinheiro privado russo e dinheiro público brasileiro têm suas responsabilidades. O tempo inteiro eu ouvia um Ru Paul dentro de mim falando Don’t fuck it up com sotaque russo. Sabendo que a proposta era fazer uma escultura pública que se tornaria parte do acervo de esculturas do parque da cidade, não era uma boa ideia fazer um trabalho que precisasse de muita verborragia para ser explicada. Afinal eu não falo uma palavra de russo além de “sim-não-por-favor-obrigada” e “palhetada”.

Por isso, meu foco nos primeiros dias foi achar em tempo recorde uma linguagem comum entre eu e a Rússia, algo preexistente, algo que se comunique emocional e musicalmente sem precisar de muito esforço ou conceitos chiques. Meu desejo era falar com o povo russo sem usar palavras e a solução eu já tinha há alguns anos. Balalaikas! É óbvio!

Eu durante a visita ao museu Glinka em Moscou. A vitrine mostra balalaikas e domras de diversos tamanhos.

Este instrumento de três cordas triangular sempre me intrigou. Tenho na minha pequena coleção de guitarras folclóricas uma balalaika feita na Ucrânia, que foi também exposta na minha instalação “Ode ao Triângulo” na Pinacoteca de São Paulo em 2019.

O percussionista Joachim Emídio se apresentando na minha instalação “Ode ao Triângulo” na Pinacoteca do Estado de São Paulo. Ao fundo, obras de arte da coleção com temas triangulares e minha balalaika ucraniana.

Meu instinto dizia que esse caminho era o que eu iria me divertir mais e que eu deveria exagerar os tamanhos, afinal estamos na Rússia. A ideia que tive foi de criar uma concha acústica na forma de uma balalaika. Uma balalaika para as proporções humanas, como uma cabana. Seria uma revelação em grande escala do interior dela.

interior de uma balalaika
Rascunho da minha proposta “Open Balalaika”(Balalaika Aberta).

O que me faltava naquele momento era sensibilidade e mais dados sobre contexto onde eu me encontrava. Eu cheguei na Rússia não entendendo com profundidade o significado ou a função da balalaika naquela cultura. Nem preciso dizer que ainda não entendo 100%. Mas de qualquer forma eu precisava entender esses sentimentos um pouco melhor para conseguir me comunicar visual e musicalmente através desse objeto. Além de ler etnomusicólogxs sérixs e entrevistar pessoas pra me sentir menos ignorante, as redes sociais foram o pulo do gato. Em que tese de doutorado eu ia ficar sabendo que “BALALAIKAS MAKE RUSSIANS CRINGE”? Olha que beleza de síntese:

Isso só me motivou mais. Se esse instrumento é uma fonte de vergonha, é nele mesmo que devo investir, porque é nas músicas indesejadas que os sentimentos são muito mais latentes, são instáveis e às vezes entregam pro ouvinte uma mistura muito densa de amor e ódio. Belezas unânimes são vida mas me interessa mais o som complicado e ambíguo, e essa é a mesma motivação que tenho para trabalhar com o som dos mosquitos, os triângulos, o sertanejo e soundsystems.

CRIANDO A MÚSICA

Para criar a performance Open Balalaika eu tinha mais ou menos dez dias. O prazo me fazia suar frio, em primeiro lugar por causa da minha condição de brasileira tentando entender um país novo e em segundo porque eu dependia de intérpretes para dirigir os dois músicos que tocariam minha composição: a professora Olga Pankratova e seu aluno Ustin Derygin de 12 anos.


Foto durante a gravação da minha versão de três canções tradicionais russas: “Katyusha”, “Korobeiniki” e “Ay, Bse Kumushki, Domoy”. Na foto, Olga ouve a tradução da minha interprete.

Uma coisa que me chamou atenção nessa relação com os músicos é o apego a um repertório tradicional. Até tentei incentivar e provocá-los para saber se tinham composições próprias ou improvisos, mas não consegui muita coisa. Ao mesmo tempo, eu não queria que minha performance fosse simplesmente a apresentação de um repertório tradicional que é parte de todas as escolas de música da Rússia e que te faz lembrar aquelas “versões oficiais” de identidades e sentimentos nacionalistas que muitos governos quiseram difundir no séc XX.

Com tantas limitações que podiam fazer da minha performance uma apresentação clichê, sem alma, que não apresenta nada de novo aos russos, o mantra que ficou na minha cabeça foi o de simplificar e expandir. Pra isso, adicionei loops de frações de compassos da música, reduzindo a força que geralmente se usa para tocar, diminuindo o ritmo geral e incentivando os músicos a sentir cada corda. Em outras palavras, eu quis abrasileirar a balalaika, dar temperos de choro e bossa nova em um estilo tão severo quanto o folclore russo.

Discutindo o set-up eletroacústico com o engenheiro Sergey Kochetkov . Foto: Sofia-Zlata Shestakovskaya.

Entrega completa à engenharia de som e aos timbres que as pessoas escutariam em uma praça tão aberta também foi fundamental e é uma parte que eu amo muito. Mas dessa vez eu tinha que decidir tudo em poucos segundos. Falando desse jeito, até parece que eu estava totalmente no controle e que rolou tudo suave. Realidade: eu estava quase tendo uma crise de ansiedade aguda. Eu me sentia uma candidata do Masterchef com o tempo acabando e que já entendeu que vai entregar uma coisa crua. Mas não foi assim. Rolou muito axé do meu mozão, muito empenho do time todo e foi lindo.

FUNDINDO A ESCULTURA

Meus heróis a (incrível) produtora Oksana Sitchuk e o serralheiro Andrey Matchin

O pragmatismo e energia infinita dos russos só me ajudaram nessa parte. Nas mãos do serralheiro Andrey Matchin minha escultura tomou forma em pouco mais de uma semana com base nos meus desenhos e em um escaneamento 3D de uma balalaika real. Toda a incerteza que foi criar a performance me foi poupada nessa parte. Meu sono agradece.

ABRI A BALALAIKA!

Sempre que penso em sacrifício e exaustão para fazer um trabalho eu penso na Twyla Tharp, que diz que um trabalho sempre mostra a “quantidade de vida” que foi posta dentro dele. Eu acho que eu não devi nada de vitalidade pra esse trabalho. As olheiras, pés destruídos, dor nas costas e desnutrição já falam por si.

E sempre vale a pena ir com tudo. Consegui sentir uma energia forte de quem foi assistir a performance na praça e senti que a balalaika virou um som sensível, um instrumento cheio de dignidade em vez de cringe, pelo menos naqueles 10 minutos de performance.

Vai ser sempre muito emocionante falar desse trabalho que fiz na Rússia, especialmente quando penso nos músicos, que já amo demais. Não me lembro de amar pessoas tão rápido sem falar sua língua, mas na Rússia aprendi que isso acontece. É muito maravilhoso o que três cordas podem fazer!

Agradecimentos sinceros a OMK, Oksana Sitchuk, Fyodor Pavlov Andreevich, Olga Pankatrova e Ustin Derygin, Andrey Matchin, Sergey Kochetkov, Marsha Bender, Sofia-Zlata Shestakovskaya e a Embaixada Brasileira em Moscou que foi muito, muito acolhedora e genial em tudo.

Beijos e até o mês que vem!

Vivian C

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3 semanas atrás

SANDRA GAMARRA PARTICIPA DE EXPOSIÇÃO COLETIVA NO MUBE EM SÃO PAULO

A exposição Por um sopro de fúria e esperança pretende compartilhar com o público os impactos das mudanças climáticas e seus desdobramentos sociais, históricos, políticos e ambientais. Com curadoria de Galciani Neves e Natalie Unterstell, a mostra prima pela escuta a diversas cosmovisões que observam e projetam eventos climáticos extremos, escassez crônica de água, avanço do mar sobre as costas, diminuição da produtividade de alimentos, extinção de espécies, etc. Para isso, conta com cerca de 165 artistas, dentre eles Sandra Gamarra.

A artista participa com o trabalho Yacimiento [Depósito], no qual dá continuidade em seu método de apropriação de imagens e seu questionamento da arte através da pintura. Nesta instalação, pinturas de paisagem de segunda mão e espelhos são sobrepostos e encostados em uma parede do espaço expositivo como se estivessem aguardando serem pendurados, ou embalados. Perdendo assim, uma independência conferida pelo cubo branco.

A pintura de paisagem surge na arte ocidental no século XV, buscando apreender a realidade de um determinado território a partir da representação de uma vista ampla que contemplasse a fauna e a flora locais. Muito rapidamente, esse gênero se institui como sinônimo de realidade. Sandra Gamarra evidencia o caráter parcial dessa concepção de realidade, que pretendendo-se neutra, exclui outras maneiras de representar e se relacionar com a natureza. Nas culturas pré-colombianas, por exemplo, a natureza era representada de forma simbólica e abstrata, pois as árvores, os animais, os rios não eram considerados como o outro em relação ao homem a ser denominado, mas divindades que conviviam e eram cultuadas por esses povos.

SERVIÇO

Por um sopro de fúria e esperança, exposição coletiva

Datas: 30.10.2021 – 30.01.2022 / quarta a domingo – 11h – 17h

Local: MuBE – Rua Alemanha, 221 – Jd. Europa, São Paulo – SP / entrada apenas com agenda prévio

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4 semanas atrás

FOUND MONOCHROMES, DE DAVID BATCHELOR DISCUTE A ABSTRAÇÃO NA PAISAGEM URBANA

A exposição Found Monochromes no espaço do projeto HOP/ CT20 segue em cartaz até o dia 11 de novembro. Curada por Nina Shen-Poblete, a mostra apresenta uma instalação em duas telas, de David Batchelor, com fotografias de painéis em branco, que o artista encontra nas ruas das cidades que visita, de Londres a São Paulo.

Desde 1997, David Batchelor fotografa painéis em branco, enquanto ele começou a observar como a abstração está inserida no tecido urbano, a série cresceu – contando com mais de 600 imagens – e se tornou um projeto muito mais pessoal, um mapa psicológico de cada cidade que ele visita.

Os monocromos da rua são ocasionais, muitas vezes inadvertidos e sempre temporários. Para Batchelor, são momentos de vazio em uma paisagem visual saturada; planos retangulares de nada que também podem aparecer como vazios no centro do campo de visão. Como tal, são como erros: um espaço onde não deveria haver espaço, uma ausência onde deveria haver uma presença.

SERVIÇO

FOUND MONOCHROMES, de David Batchelor

Datas: 22.10 – 11.11.2021 / terça a domingo – 11h – 17h

Onde: HOP Projects / CT20

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4 semanas atrás

FREDERICO FILIPPI INTEGRA MOSTRA ECOLOGÍAS RADICALES DA BIENALSUR

A exposição Ecologías Radicales enfoca problemáticas vinculadas à exploração de recursos naturais e ao extrativismo em territórios ameaçados. Com curadoria de Benedetta Casini e Taina Azeredo, a mostra fica em cartaz até 5 de dezembro no Museo Marco, em Buenos Aires, Argentina. Como parte da programação da BienalSur, a exposição conta com trabalhos de oito artistas, dentre eles Frederico Filippi, que participa com a obra Direito de Resposta.

Direito de resposta é parte de uma trilogia de trabalhos de intervenção em espaços específicos, que são relacionados à história oficial do descobrimento da América. “Escolhi realizar intervenções na principal fonte documental deste acontecimento na Europa, quer dizer Madri, como praças, monumentos, placas comemorativas, museus, etc.”, comenta o artista. 

Frederico retirou parte de uma placa de bronze, que estava presa ao solo no complexo monumental dos Jardines del Descobrimiento [Jardins do Descobrimento] e, após derretê-la, converteu-a em outra placa com os dizeres: Al final del océano estava el abismo [Ao final do oceano estava o abismo], que foi reinserida no local. 

Esta frase contradiz outra, gravada em um dos monólitos do complexo, onde se lê: Ademas de las tres partes del mundo existe otro continente mas allá del oceano [Além das três partes do mundo existe outro continente além do oceano]. 

“Utilizando o mesmo metal como base, esta nova placa se infiltra no circuito oficial do discurso para discutir seu valor histórico como fonte de comunicação, representando também o medo medieval dos navegadores diante do abismo do desconhecido Oceano Atlântico”, complementa Frederico Filippi. 

Até março de 2015, a placa ainda não havia sido percebida e retirada pela administração.

SERVIÇO

Exposição Ecologías Radicales 

8 de outubro de 2021 a 5 de dezembro de 2021

Quarta-feira a Domingo, das 11h às 19h. Entrada gratuita 

Museo MARCO | Almirante Brown 1031, La Boca, Ciudad Autónoma de Buenos Aires, Argentina


1 mês atrás

EM BUEN GOBIERNO, SANDRA GAMARRA DISCUTE AS RELAÇÕES COLONIAIS ENTRE ESPANHA E AMÉRICA DO SUL

Na exposição Buen Gobierno, que acontece em Madrid, Espanha, na Sala Alcalá, Sandra Gamarra aponta como a origem das nações latino-americanas está intimamente ligada ao nascimento da própria Espanha, partindo da pintura como narradora da história. O título Buen Gobierno tem origem no manuscrito da Primera Crónica y Buen Gobierno, escrito em 1615 por Felipe Guamán Poma de Ayala, que retrata a realidade andina colonial e pede ao Rei da Espanha, Felipe III, uma reforma do governo do vice-reinado para salvar o povo andino da exploração, das doenças e da miscigenação racial, sinônimo de desaparecimento da cultura indígena. Com curadoria de Agustín Pérez Rubio, a exposição encerra dia 16 de janeiro de 2022. 

Em Cuando las papas queman [Quando as batatas queimam], série de 150 variedades de batatas pintadas sobre impressões das ilustrações do tratado de Guamán Poma de Ayala, Sandra Gamarra trabalha as diferentes visões sobre a colonização espanhola nas Américas. Nesta obra a batata, símbolo da relação comercial entre Espanha e as Américas, representa o apagamento da violência colonial. Segundo a artista, “Na Espanha, a história de conquista e violência colonial não é contada como nas Américas. Aqui, a colonização passou de um contexto imperial e suas tintas sagradas para uma relação de trocas comerciais, onde a batata ocupa um lugar primordial e suas variedades e exotismo ocultam uma parte importante e dolorosa dessa história compartilhada”.

Sandra acredita que a repetição é uma maneira de fazer com que o observador guarde a ideia que há na imagem, “Quando trabalho em série, me interessa a repetição da ação, o dizer, procuro fazer com que a ação repetitiva não seja apenas minha na hora de executá-la, mas também do próprio observador. Não pretendo que fiquem com uma imagem, mas com a ideia que há na imagem”, comenta. 

Além dos trabalhos de Sandra, integra a exposição a série de Los cuadros del mestizaje do século XVIII, muito provavelmente de Cristóbal Lozano, as cabaças gravadas Sixto Seguil Dorregaray e as máscaras de La Tunantada de Junin. 

Saiba mais acessando o site

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1 mês atrás

JOSÉ CARLOS MARTINAT EXPLORA AS CONTRADIÇÕES DA FRAGILIDADE EM EXPOSIÇÃO COLETIVA NA ITÁLIA

Foto: Eduardo Secci Gallery

O artista José Carlos Martinat participa da exposição coletiva Le contraddizioni della fragilità, em Florença, Itália. Com curadoria de Angel Moya Garcia, a mostra fica em exibição na Eduardo Secci Gallery até seis de novembro. 

A exposição foca no tema da fragilidade e seus declínios, explorando as contradições que se escondem na sua definição, analisando os diferentes contextos em que o termo tem sido utilizado: sociedade, cultura, economia, ciência e filosofia. Uma série de significados e interpretações, nas quais a fragilidade é considerada em sua conotação depreciativa nos convidando a contemplá-la como dúvida e incerteza, falha e sua aceitação ou a fragilidade de nossas crenças. Esse antagonismo ancestral e hipotético causado pela nítida oposição entre fragilidade e estabilidade ou durabilidade é questionada pela mostra apontando infinitas possibilidade de erro, a superficialidade de certas reflexões categóricas e preconceitos de nossos princípios na busca da objetividade absoluta que nos permite chegar a um estabilidade emocional, cognitiva e de identidade definitiva.

A produção de José Carlos Martinat (1974, Lima) é ditada por estreitas relações com o meio social, cultural e político da América Latina. Movendo-se entre diferentes gêneros, ele cria uma série particularmente conhecida que tem como fonte graffitis, que são apropriados pelo artista por meio da extração de seus lugares de origem, dando-lhes uma nova vida como obras de arte. Em sua fragilidade monumental, eles mantêm a tensão emocional que os gerou. A instabilidade intrínseca de sua natureza criativa se reflete no limbo dos sonhos, falsas promessas, a corrupção da classe política e a reação popular resultante. 

Para saber mais acesse o site da Eduardo Secci Gallery.

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1 mês atrás