A exposição Por um sopro de fúria e esperança pretende compartilhar com o público os impactos das mudanças climáticas e seus desdobramentos sociais, históricos, políticos e ambientais. Com curadoria de Galciani Neves e Natalie Unterstell, a mostra prima pela escuta a diversas cosmovisões que observam e projetam eventos climáticos extremos, escassez crônica de água, avanço do mar sobre as costas, diminuição da produtividade de alimentos, extinção de espécies, etc. Para isso, conta com cerca de 165 artistas, dentre eles Sandra Gamarra.

A artista participa com o trabalho Yacimiento [Depósito], no qual dá continuidade em seu método de apropriação de imagens e seu questionamento da arte através da pintura. Nesta instalação, pinturas de paisagem de segunda mão e espelhos são sobrepostos e encostados em uma parede do espaço expositivo como se estivessem aguardando serem pendurados, ou embalados. Perdendo assim, uma independência conferida pelo cubo branco.

A pintura de paisagem surge na arte ocidental no século XV, buscando apreender a realidade de um determinado território a partir da representação de uma vista ampla que contemplasse a fauna e a flora locais. Muito rapidamente, esse gênero se institui como sinônimo de realidade. Sandra Gamarra evidencia o caráter parcial dessa concepção de realidade, que pretendendo-se neutra, exclui outras maneiras de representar e se relacionar com a natureza. Nas culturas pré-colombianas, por exemplo, a natureza era representada de forma simbólica e abstrata, pois as árvores, os animais, os rios não eram considerados como o outro em relação ao homem a ser denominado, mas divindades que conviviam e eram cultuadas por esses povos.

SERVIÇO

Por um sopro de fúria e esperança, exposição coletiva

Datas: 30.10.2021 – 30.01.2022 / quarta a domingo – 11h – 17h

Local: MuBE – Rua Alemanha, 221 – Jd. Europa, São Paulo – SP / entrada apenas com agenda prévio