Galeria Leme

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En vías de desarrollo [Em desenvolvimento]
23 de novembro - 14 de janeiro de 2022
En vías de desarrollo [Em desenvolvimento]


A Galeria Leme apresenta a exposição En vías de Desarrollo, individual de Sandra Gamarra. A artista peruana apresenta obras inéditas no Brasil. Com abertura dia 23 de novembro, a mostra segue em cartaz até 14 de janeiro de 2023.
 
Em seu conjunto de trabalhos, assim como nas obras desta exposição, Gamarra apresenta uma perspectiva crítica à permanência de relações e imaginários coloniais na atualidade. As três séries, que compõem esta mostra, exploram as diferentes concepções de mundo, que coexistem nas Américas.
 
“Nos países denominados em desenvolvimento, parece coexistir duas concepções acerca da Terra: uma que a compreende como um sujeito de direitos e outra que a compreende como um objeto através do qual se obtém direitos”, comenta a artista.
 


En vías de desarrollo I, 2022

Óxido de ferro e óleo sobre tela
150 x 100 x 2,5 cm
R$ Sob Consulta | US$ On Request

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En vías de desarrollo III, 2022

Óxido de ferro e óleo sobre tela
150 x 100 x 2,5 cm
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En vías de desarrollo II, 2022

Óxido de ferro e óleo sobre tela
150 x 100 x 2,5 cm
R$ Sob Consulta | US$ On Request

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En vías de desarrollo IV, 2022

Óxido de ferro e óleo sobre tela
150 x 100 x 2,5 cm
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En vias de desarrollo V, 2022

Óxido de ferro e óleo sobre tela
150 x 100 x 2,5 cm
VENDIDO
En vías de desarrollo VII, 2022

Óxido de ferro e óleo sobre tela
120 x 100 x 2,5 cm
VENDIDO
En vías de desarrollo IX, 2022

Óxido de ferro e óleo sobre tela
150 x 100 cm
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En vías de desarrollo VIII, 2022

Óxido de ferro e óleo sobre tela
150 x 100 cm
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En vias de desarrollo X, 2022

Óxido de ferro e óleo sobre tela
150 x 100 cm
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En vias de desarrollo VI, 2022

Óxido de ferro e óleo sobre tela
120 x 120 x 2,5 cm
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A série En vías de desarrollo, que dá título à exposição, consiste em 10 releituras de obras de Albert Eckhout. Nelas, os retratos e naturezas-mortas são pintados com óxido de ferro, conferindo tons terrosos à composição. Alguns detalhes, como os pés e mãos das figuras humanas, são feitos com tinta a óleo, sugerindo se tratarem de obras inacabadas.
 
Albert Eckhout foi um importante pintor holandês, que permaneceu por sete anos no Brasil, durante a ocupação holandesa no século XVI. A serviço do conde Maurício de Nassau, Eckhout documentou o “Novo Mundo” através de desenhos e pinturas. Suas obras foram consideradas durante muito tempo documentos oficiais, uma representação fiel da realidade brasileira.
 
É este caráter documental, que Gamarra tensiona em suas releituras. Ao aplicar diferentes tratamentos à pintura – ora detalhes a óleo, ora manchas avermelhadas – a artista retira a veracidade que outrora fora concedida a estas imagens e as coloca em questão. O gesto da artista denuncia o desenvolvimento e o progresso como narrativas, construções sociais, que ao serem apresentadas como sinônimos da verdade, escondem concepções de mundo.


Cuando las papas queman I, 2021

10 pinturas sobre papel
25 x 19 x 3 cm (cada)
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Cuando las papas queman II, 2021

10 pinturas sobre papel
25 x 19 x 3 cm (cada)
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Cuando las papas queman III, 2021

10 pinturas sobre papel
25 x 19 x 3 cm (cada)
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Cuando las papas queman IV, 2021

10 pinturas sobre papel
25 x 19 x 3 cm (cada)
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Cuando las papas queman V, 2021

10 pinturas sobre papel
25 x 19 x 3 cm (cada)
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Em Cuando las papas queman [Quando as batatas queimam], Gamarra pinta batatas sobre reproduções de desenhos da obra Primera Nueva Crónica y Buen Gobierno [Primeira Nova Crônica e Bom Governo], escrita pelo peruano indígena Felipe Guamán Poma de Ayala, no início do século XVI. Ambos elementos utilizados pela artista tratam da relação entre o Peru e a Espanha. Na obra de Ayala, o escritor contempla a história antiga Andina, a ascensão do Império Inca, a invasão Espanhola e o início do período colonial a partir da perspectiva indígena. A publicação foi dedicada ao rei Filipe III com o intuito de trazer melhorias para a população ao narrar violências cometidas pela coroa. Já as batatas se tornaram um símbolo do intercâmbio cultural entre a Espanha e o Peru após a colonização.
 
No Peru é possível encontrar mais de 4.000 espécies de batatas, que variam de cores, formatos e nutrientes, de acordo com o local e o período de seu cultivo. Essa diversidade é fruto da sabedoria milenar dos povos andinos no cultivo do alimento. Assim, o retrato da variedade de batatas de Gamarra, parece uma alegoria do conhecimento andino e não mais do intercâmbio cultural, ao passo que os desenhos de Ayala refutam uma troca cultural amistosa, como se quer naturalizar.


Gradación, 2022

10 ponchos tecidos em lã de ovelha e alpaca
150 x 100 cm (cada)
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Gradación [Gradação] é uma série de ponchos esticados em chassis como se fossem pinturas. A variação cromática cria uma gradação do bege ao preto passando por tons amarronzados e vermelhos, que remetem a coloração da pele humana e a diferentes tipos de solos.
 
“Contam que o poncho vem do plantar, a cavidade por onde se insere a cabeça é uma referência ao buraco feito na terra para semear. O rasgo no centro da tela lembra também obras modernistas, como as de Lucio Fontana. O mesmo gesto remete a duas ideias contrapostas: uma apela aos ciclos da terra, ao conhecimento ancestral, outra a novidade, a nossa eterna aspiração por um começo”, comenta a artista.


Sobre a artista
Lima, Peru, 1972. Vive e trabalha em Madri, Espanha.
 
Sandra Gamarra, é a criadora do Museu fictício de Arte Contemporânea de Lima em 2002, uma coleção composta de reproduções pintadas pela própria artista de obras de seus contemporâneos. O método de apropriação de Gamarra levanta questões sobre aspectos como a autenticidade e o status de réplicas. Uma parte significativa do trabalho de Gamarra incide sobre os mecanismos do mundo da arte, incluindo o mercado de arte, exposições e processos criativos, explorando a sua realidade e funcionamento. Em seu trabalho, Gamarra também explora as consequências sócio-políticas do que ela considera uma modernidade incompleta na América do Sul.
 
Exposições individuais: Buen Gobierno, CGAC Santiago de Compostela, Corunha, Espanha; Orden de los Factores, Museo Amparo, México (2022); Producción/Reproducción. MALI, Lima, Peru; Buen Gobierno, Sala Alcalá, Madri, Espanha (2021); Rojo Indio, Galería Juana de Aizpuru, Madri, Espanha (2018); Paisagem entre aspas, Galeria Leme, São Paulo, Brasil (2017); Instituto Figueiredo Ferraz, Ribeirão Preto, Brasil (2016), At the Same Time, Bass Museum of Art, Miami, EUA (2011), entre outras.
 
Exposições coletivas: Histórias Brasileiras, MASP, São Paulo, Brasil (2022); 11th Berlin Biennale, Berlim, Alemanha (2020); Há sempre um copo de mar para um homem navegar, 29ª Bienal Internacional de São Paulo, Fundação Bienal, São Paulo, Brasil (2010); Mundus Novus, Pavilhão da IILA, 53ª Biennale di Venezia, Veneza, Itália (2009), entre outras.
 
O seu trabalho integra coleções tais como: MoMA, Nova Iorque, EUA; Tate Modern, Londres, Inglaterra; MACBA (Museu de Arte Contemporânea de Barcelona), Barcelona, Espanha; MASP (Museu de Arte de São Paulo), São Paulo, Brasil; Basque Museum Art Center, Vitoria, Espanha; Deutsche Bank Art Collection; MALI (Museo de Arte de Lima) Peru; MUSAC, León, Espanha; MALI, Lima, Peru; MAR, Rio de Janeiro, Brasil, entre outras.