Galeria Leme

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Jessica Mein Jessica Mein

25.08.18 _ 29.09.18

Quase trópicos, 2018

É com prazer que a Galeria Leme apresenta a terceira exposição individual da artista paulistana, radicada em Buenos Aires, Jessica Mein. A mostra reúne sua produção mais recente, que traz uma instalação de vídeo-animação, além de um conjunto de trabalhos geométricos, tecidos no cânhamo.

A mostra é o desdobramento de uma pesquisa que vem sido desenvolvida pela artista há mais de dez anos sobre a fisicalidade das imagens e a importância dos suportes, superfícies e técnicas. Dessa forma, Jessica explora o uso de materiais obsoletos encontrados em lugares onde morou. Tanto sacos de cânhamo pintados à mão utilizados para carregar especiarias, quanto imagens do acúmulo de fios de eletricidade, ambos na cidade de Dubai, bem como figuras de outdoors remanescentes de São Paulo e Buenos Aires são exemplos de matérias primas para sua investigação. A videoinstalação “Quase” é composta por duas animações, cujos procedimentos mecânicos de elaboração envolvem a sobreposição de camadas marcadas manualmente com carbono, recortes, dobras e sobreposições, finalizados pelo escaneamento, de forma que um seja o avesso do outro. Imagens-ruínas de dois coqueiros, capturadas de uma desbotada propaganda turística sobre o Brasil em Buenos Aires, foram utilizadas como representações demarcadas pelo desuso, naturalmente carregadas de clichê exótico e melancólico. Eles possuem durações diferentes, ganhando cada vez mais disparidade ao passo que são mostrados em loop, criando uma desordem espaço-temporal.

Parte da técnica utilizada pela artista consiste em interromper e desalinhar as tramas do tecido, reconfigurando-o em novos padrões geométricos sutis e variados, travando um diálogo com a própria desordem tempo-espaço. Sua prática explora ainda o tingimento através do carbono, que transfere cor ao tecido, que absorve a tinta em toda a sua composição, frente e verso. Esses processos são complementados pela prática da frotagem, permitindo ainda à artista imprimir outras formas e cores ao friccionar o carbono contra uma superfície. Assim como parte importante de toda a sua pesquisa, Jessica traz um resgate afetivo da sua própria ancestralidade para esta série, onde ela não apenas revisita os trabalhos realizados em Dubai, como também a prática das mulheres de sua família pernambucana, que bordavam e faziam rendas, além de manter a conexão com suas raízes. Seu trabalho reflete justamente o gestual metódico, obsessivo e ansioso das artesãs, para em seguida ser desconstruído, desalinhado e, portanto, ressignificado.

Sobre a artista:

Jessica Mein. São Paulo, Brasil, 1975. Vive e trabalha em Buenos Aires, Argentina.

Dentre as suas exposições individuais estão: Desvios, Simon Preston, Nova York (2016); Tramas, Galeria Leme, São Paulo (2015); Obras, Simon Preston, Nova York (2013); The Pavilion Downtown, Dubai (2012).

Já entre as coletivas estão: Becoming the Image, Projects at Fifteen, Tel Aviv, Israel (2015); Museu Wellin, Hamilton College, Nova York, EUA (2013); Universidade de Nova York, Abu Dhabi, Emirados Árabes Unidos (2013); Universidade de Harvard, Cambridge, EUA (2012); The Street Files Biennial, Museo del Barrio, Nova York, EUA (2011); Fundação Julia Stoschek, Dusseldorf, Alemanha (2011); Drawing Center, Nova York, EUA (2011); Museo Tamayo de Arte Contemporáneo, Cidade do México, México (2006). Foi artista residente no programa A.i.R. do Art Dubai, Delfina Foundation, em 2015-16.

Seu trabalho faz parte das coleções do Museu de Arte Moderna de Nova York; Julia Stoschek Foundation, Dusseldorf; e Museu de Arte Contemporânea, São Paulo.

Clique aqui para ver o catálogo da exposição.