Galeria Leme

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Anya Gallaccio

07.11.06 _ 09.18.06

(Sem Título) Lion Tree, 2005

Esta exposição é realizada com a colaboração da Thomas Dane gallery, Londres

O trabalho de Gallaccio é memorável pelo uso de materiais orgânicos. Chocolates, flores e frutas aparecem em ambiciosos projetos de escultura através dos quais a artista explora a efemeridade e a transitoriedade da natureza. Trabalhando com materiais inusitados, consegue aflorar seus poderes criando belos resultados. As produzir esculturas e instalações temporárias, questiona a noção que a arte pode ser mais poderosa do que a vida, sugerindo ao invés que o resíduo e a captura do seu trabalho irá sobreviver uma inevitável entropia. Quase sempre site-specific, o trabalho de Gallaccio considera então não apenas a natureza efêmera de cada obra mas também de seus arredores.

Gallaccio já explorou, em muitos de seus trabalhos anteriores, o processo da transformação orgânica (gelo, ao derreter; açucar, ao dissolver; flores, em decadência) em materiais que contém vida curta. Em contraste, as esculturas expostas nesta mostra são feitas de materiais duráveis. Untitled (Lion Tree), importante trabalho exposto na Galeria Leme, extende os temas da transformação através do uso do bronze, um material lento em sua metarmofose. A escultura tem como base uma macieira californiana que estava sendo removida de seu pomar para ser substituida por uma oliveira. O acabamento do tronco de bronze contrasta com o brilho decadente das maças envolvidas por porcelana de frutas verdadeiras. A superfície da árvore é perfurada por buracos pequenos que parecem, num primeiro olhar, nós da idade, mas são de fato feito por um picapau encontrado apenas nesta parte da Califórnia. A árvore torna-se quase que majestosa, contendo uma beleza escultural distinta, preservando, ao mesmo tempo, todas as imperfeições da natureza.

Tendo delicados troncos como suporte, My my, hey hey e The needle tears a holecontrastam com Lion Tree com uma vulnerabilidade quase que frágil. Podemos observar, através do uso de troncos, outro tema recorrente na qualidade escultural da árvore, sua beleza intercambial e sua estatura quase que mitológica. Originalmente escultural em sua forma, Gallaccio acentua este fator através do bronze e através da cobertura em folhas prateadas Palladian, e os posicionando no ambiente de uma galeria de arte.

Em outros trabalhos exibidos na mostra, como a delicada rede de pescaria em ouro lamê, costurada por pescadores dos Países Baixos, presenciamos novamente o interesse da artista por materiais, sua manipulação e seus contextos. Essa atenção aos detalhes e observação à manufatura é visível em todos os projetos de Gallaccio, muitas vezes resultando num longo período de criação. No entanto, é esta tenacidade que resulta em trabalhos de inacreditável beleza natural envoltos pela noção da emoção humana e de história da arte.

Anya Gallaccio nasceu na escócia em 1963, vive e trabalha em Londres. Mostras recentes incluem One Art, no Sculpture Center, Nova Iorque (2006), Shadow of the things we know, Blum Poe, Nova Iorque (2006), The Look of Things, no Palazzo delle Papesse, em Siena (2005). Gallaccio foi nomeada a um Turner Prize, Londres (2003). Seu trabalho contém referências a Duchamp e seus ready-mades, arte-povera, minimalismo e performance, entre outras coisas.

Anya Gallaccio é representada pela Thomas Dane Gallery, Londres; Lehmann Maupin Gallery, Nova Iorque; Blum and Poe Gallery, Los Angeles.