Galeria Leme

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Zilvinas Kempinas

15.05.10 _ 16.09.10

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A Galeria Leme apresenta a primeira exposição individual no Brasil de Zilvinas Kempinas. A mostra, que o próprio artista considera seu “projeto mais desafiador até hoje”, foi concebida pelo curador Jacopo Crivelli Visconti como uma pequena retrospectiva, e inclui algumas das obras mais emblemáticas do artista lituano, a começar pelo impressionante Tube (2009-2010), instalação de grande porte com a qual Kempinas representou seu país na última Bienal de Veneza (2009).

Como na maioria das suas obras dos últimos anos, o artista utilizou, para a construção dessa galeria de mais de vinte metros de comprimento, basicamente um único material: fita magnética de vídeo cassete. Se, em Veneza, as vibrações da luz na fita remetiam fatalmente ao jogo contínuo dos reflexos na água da laguna, na versão desenvolvida para a Galeria Leme o artista parece instaurar, antes de mais nada, um diálogo com as formas solenemente modernistas do espaço projetado por Paulo Mendes da Rocha.

O contraponto à monumentalidade do Tube fica por conta de obras mais lúdicas, como Lemniscate (2008) e Focus (2010), em que a fita ganha vida, graças à ação de simples ventiladores que a sustentam, fazendo-a voar. Apesar da leveza irônica desses trabalhos, é evidente que o recurso a formas atemporais e arquetípicas, carregadas de significados (o símbolo do infinito para Lemniscate, e um círculo para Focus) remete a uma reflexão sobre o passar inexorável do tempo que a própria fita de vídeo cassete, com sua memória magnética, prematuramente obsoleta e ilegível, sugere.

Encerra a exposição uma obra à primeira vista mais contida, mas que, como é habitual no trabalho de Kempinas, aponta para a necessidade de uma leitura mais cuidadosa. Missing lines (2009) remete diretamente à grande tradição pictórica ocidental, mas o título e o caráter artesanal da “construção” do quadro sugerem uma tentativa de acrescentar a esta tradição algo que faltou, através de uma reflexão sobre o caráter bi- e tri-dimensional da pintura, que poderia sugerir uma filiação com as telas cortadas de Lucio Fontana.

Zilvinas Kempinas teve exposições individuais no Baltic Center for Contemporary Art (2010),  na Kunsthalle de Viena (2008), no Contemporary Art Center de Vilnius (2007), e no Palais de Tokyo (2006), entre vários outros, e participou de importantes exposições coletivas como a 53a Bienal de Veneza (2009); Immediate Future, Lund Konsthall (2009); Manifesta7, Bolzano (2008), entre outras.

Em 2007, foi apontado pela Art Review Magazine como um dos ‘Future Greats: 25 artists you need to know’, e em 2008 ganhou o Calder Prize and Atelier Calder Residency Award.