Galeria Leme

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Próprio- Impróprio

25.10.16 _ 19.11.16

Frederico Filippi

PRÓPRIO-IMPRÓPRIO | FREDERICO FILIPPI E RAPHAEL ESCOBAR

Curadoria: Leonardo Araujo

Abertura: 25 de Outubro, 19h

O que se dá com esta possibilidade que é sempre engajada de uma maneira ou de outra em sua impossibilidade?

É dessa pergunta que Maurice Blanchot parte em sua explanação para conceber o que é a utopia – existente dentro da relação entre comunismo e comunidade. Para isso, o escritor recorre à criação de um conceito-palavra: próprio-impróprio. O recurso dele se torna então narrativo e de imaginação na linguagem.

Esta exposição, em que a Galeria Leme apresenta seus novos artistas representados, Frederico Filippi e Raphael Escobar, realizada junto ao crítico Leonardo Araujo, furta o termo e seu uso pelo autor para fazer do seu título tanto o contexto de que emerge quanto ao qual imerge.

Tendo esse movimento alinhado ao processo artístico e à circulação das “coisas” (imagens, textos e ações) que dele aparecem é que próprio-impróprio mantem-se atenta à política da imagem. Indo além do comunismo ou da comunidade de que adentra minuciosamente o escritor, a exposição ergue-se com a postura de como a imagem comunica o que nela se faz urgente, sua potencia de imaginação.

Os trabalhos dos artistas recorrem ao afirmativo e negativo conjunto da dupla palavra do título escolhido para criarem perspectivas singulares sobre suas próprias práticas. Ao simplesmente eleger que a imagem produzida pela arte contemporânea no atual contexto capitalista não se atem mais como força fundante de uma civilização, mas como uma reiteração da vida – e esta como ato de imaginar -, a exposição intenta o aprofundamento criativo e crítico que os artistas apresentam nos seus contextos de produção.

Escobar, pensa e responde à atualização social com uma política invisível, apenas surgida nos encontros entre os agentes envolvidos nas relações em que ele se mete ou procura.

Filippi, revisita e propõe, por meio da natureza e da negligência ocidental a ela, uma releitura silenciosa, abstrata e meditativa, da imagem como intervenção no inconsciente coletivo.

Leonardo Araujo
Icapuí (CE), Setembro de 2016

Sobre o Curador:

Leonardo Araujo vive e trabalha em São Paulo. É escritor, critico de arte e editor independente. Cursou parcialmente Filosofia pela Unifesp e graduou-se em Artes Visuais pelo Centro Universitário Belas Artes. Realizou a curadoria da exposição Noves_Fora no espaço independente Beco da Arte, no qual trabalhou por 3 anos. Foi assistente no Núcleo de Pesquisa e Crítica em História da Arte na Pinacoteca do Estado de São Paulo. Desenvolveu o projeto expositivo Estruturas Possíveis: um diálogo crítico-criativo com o artista Bruno Baptistelli, na Oficina Cultural Oswald de Andrade. Atualmente participa do Grupo de Estudos Práticos em Linguagem Experimental em que desenvolve o projeto Gramatologia na mesma instituição. Também, está em andamento com o projeto Gravidade [espécies de espaços], junto ao artista Daniel de Paula Mendes na Colônia da Cratera, Parelheiros. Através da Glac Edições, lançou recentemente o livro Claire Fontaine: em vista de uma prática política.

Sobre os Artistas:

Frederico Filippi.
São Carlos, Brasil, 1983. Vive e trabalha em São Paulo, Brasil.

O trabalho de Frederico Filippi se depara sobre oposições de ordem e desordem, relações invisíveis presentes na vertigem dos processos civilizatórios, em especial no contexto da América do Sul. Com procedimentos variados e técnicas dispersas, a centralidade das imagens presentes em suas investigações muitas vezes partem da influência que recebe dos temas da antropologia – especificamente da etnologia ameríndia – como a pesquisa de campo, os resíduos imagéticos de encontros de mundos diferentes e a diagramação de informações aparentemente caóticas em um contexto novo. Para isso, ao mesmo tempo que se debruça sobre objetos e materiais para produzir pinturas, desenhos e instalações, também leva a cabo pesquisas mais extensas em processos de deslocamento e residências que acabam por produzir uma ação sobre a realidade, mesmo que ínfima, de modo a introduzir um ruído na imagem geral. Cada vez mais a agência invisível dos objetos e das informações tem se tornado um ponto de encontro em seu processo, de forma que o artista não se abate sobre uma técnica verticalmente, mas transita de acordo com a sondagem e encontra em diferentes materiais e ações caminhos para tornar visíveis estes procedimentos.
Entre suas principais exposições estão: O sol, o jacaré albino e outras mutações, Galeria Athena Contemporânea, Rio de Janeiro; Totemonumento, Galeria Leme, São Paulo (2016); Fogo na Babilônia, Pivô, São Paulo; Até aqui tudo bem, Galeria White Cube, São Paulo (2015); Si no todas las armas, los cañones, Matadero Madrid, Madri, Espanha; Mostra da 5º Edição da Bolsa Pampulha, Museu da Pampulha, Belo Horizonte; A parte que não te pertence, Maisterra Valbuena, Madri, Espanha (2014). Prêmios e residências artísticas: Kiosko, Santa Cruz de la Sierra, Bolívia; El Ranchito Matadero Madrid, Madri, Espanha (2015); Bolsa Pampulha, Museu da Pampulha, Belo Horizonte; Prêmio Novíssimos, Galeria IBEU, Rio de Janeiro; La Ene, Buenos Aires, Argentina (2013); 5º RedBull House of Art, São Paulo (2011).

Raphael Escobar.
São Paulo, Brasil, 1987. Vive e trabalha em São Paulo, Brasil.

A obra de Raphael Escobar se fundamenta na dicotomia das noções de público e privado, lugar e não-lugar, centro e margem, utilizando objetos de uma linguagem própria ao cotidiano das cidades, ações e situações corriqueiras do cotidiano urbano a fim discutir relações de poder e imposição, mas também da subversão dessas lógicas, rumo ao ilegal ou ao considerado “vandalismo”. Desde 2009 atua com educação não formal em contextos de vulnerabilidade social. Esta atuação serve também como pesquisa e ativação do seu trabalho que frequentemente evidencia as formas de resistência em meio à precariedade, ao apagamento, à exclusão e à diminuição de direitos e liberdades.
Entre as suas principais exposições estão as coletivas: Totemonumento, Galeria Leme, São Paulo (2016); Vaguear, transitar, caminhar, errar…, Ateliê Aberto, Campinas, São Paulo (2015); 31ª Bienal de São Paulo (colaboração com coletivo Ruangrupa), São Paulo (2014); X Bienal de Arquitetura, Centro Cultural São Paulo, São Paulo; A Alma é o Segredo do Negócio, Funarte, São Paulo, Brasil (2013), entre outras.
Residências artísticas: Red Bull Station, São Paulo, Brasil (2016); Condomínio Cultural, São Paulo, Brasil; Muros: Territórios Compartilhados, Salvador, Brasil (2013), entre outras.