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One Foot Apart Collective

10.01.09 _ 11.07.09

Artists: Alejandro Almanza, Edgardo Aragón, Erick Beltrán, Emilio Chapela, Gilberto Esparza, Daniel Guzmán, Jorge Méndez Blake, Miguel Monroy, Begoña Morales, Fernando Ortega, Mark Powell, Pablo Sigg, José Antonio Vega Macotela

Curadora: Ruth Estévez

One foot apart fala de medidas reais e procedimentos para compreender a distância física e simbólica entre as coisas e os indivíduos, seus desejos e anseios. Problematiza os espaços que as separam ou que apontam para o uso de uma retórica indecifrável. Treze artistas mexicanos propõem uma visão singular do paradoxo através de jogos extrapolados a todo tipo de situações físicas e abstratas. Habitantes, em sua maioria da Cidade do México, repensam sobre a maneira de lidar com contextos completamente fora de toda escala.

Se a arte mexicana dos anos noventa se reconheceu por uma estetização das idiossincrasias da urbe e a experimentação com seus múltiplos objetos de sobrevivência, estes artistas trafegam agora com um espaço muito mais sutil e abstrato, ainda que igualmente inserido no cotidiano: a margem de erro na tradução das coisas abrindo espaço para a mais completa incerteza.

Alejandro Almanza
Nasceu na Cidade do México, México, 1977, vive na Cidade do México

O trabalho de Alejandro Almanza é uma apologia ao risco. Em cada uma de suas instalações criadas para o site specific, os elementos que compõem a obra se encontram instalados de maneira ordenada, criando cadeias de perigo. Se qualquer um dos elementos falha, as conseqüências poderão ser catastróficas.

Jorge Méndez Blake
Nasceu em Guadalajara, México, 1974; vive em Guadalajara, México

Escultura de blocos de cimento que esmagam uma linha de 7 edições de Barleby, o conto de Melville: A história de Bartleby, o escrivão que se nega a fazer seus deveres. A obra é uma metáfora sobre a produção em grande escala gerada pelo capitalismo e pelas políticas liberalistas, frente o excesso e descompensação, entre a mais-valia e o tempo de trabalho.

Erick Beltrán
Nasceu na Cidade do México, México, 1974; Vive em Barcelona, Espanha

A obra de Erick Beltrán para a exposição é um mapa mental que define e enquadra a conceitualização da mesma. Através de diversos diagramas e conexões de palavras e pensamentos, o artista põe em consideração o problema da escala na construção dos discursos.

Emilio Chapela
Nasceu na Cidade de México, México 1978; vive na Cidade do México, México

O artista extraiu uma definição de linguagem da Wikipedia para traduzi-la utilizando um tradutor eletrônico, do inglês ao português, ao alemão, ao japonês, ao espanhol, ao holandês e finalmente de volta ao inglês. O resultado é uma frase sem sentido onde o significado original fica completamente destruído.

Daniel Guzmán
Nasceu na Cidade do México, México, 1964; Vive na Cidade de México, México

O vídeo de Daniel Guzmán é uma fábula, onde o artista apela à impossibilidade de manejar o destino, ao mesmo tempo em que ironiza os esforços humanos por consegui-lo.

Begoña Morales
Nasceu em Lima, Peru, 1977; Vive na Cidade do México, México

Algumas das casas construídas pelo arquiteto mexicano Luis Barragán partiam da vegetação existente, de tal maneira que a casa crescia junto à arvore e não ao contrário. Nessa série de esculturas da artista Begoña Morales, a diferença de escalas põe em relevância a figura do jardim em respeito a casa, ainda que não tanto como espaço de ócio e descanso mas como completa ameaça.

Miguel Monroy
Nasceu na Cidade do México, México, 1975; Vive na Cidade de México, México

Contrareloj

Nesta peça, dois mecanismos montados em um mesmo relógio, atuam de modo inverso, de tal forma que, ainda que o tempo passe consequentemente, os ponteiros marcam sempre a mesma hora. A maquinaria não permanece imóvel, pelo contrário, ameaça a se mover a cada segundo, apesar de sua impossibilidade de ação.

Equivalente

O artista trocou 100 euros por seu equivalente em moeda brasileira. Os reais foram trocados novamente por euros, seguido de outra troca por reais e assim sucessivamente até o dinheiro desaparecer. A peça é composta por todos os recibos obtidos no intercambio do dinheiro.

Fernando Ortega
Nasceu na Cidade do México, México, 1971; Vive na Cidade de México, México

A obra de Ortega eleva objetos e momentos que escapam a nossa atenção entristecida pelo espetáculo da vida cotidiana, sobre tudo em uma cidade como a Cidade do México. Ortega se interessa mais pela natureza fragmentada e aberta do mundo do que pela compreensão de conceitos sistemáticos e concludentes.

Mark Powell
Nasceu em Decatur, Estados Unidos, 1968; Vive na Cidade do México, México

Nesta série fotográfica, Mark Powell retrata, como é habitual dentro de seu trabalho, cenas da vida e paisagens diárias da cidade. Contudo, apesar do caráter inesperado dos cenários e dos objetos retratados, os personagens que os ocupam aparecem alheios a tais situações.

Edgardo Aragón
Nasceu em Oaxaca, México, 1985; Vive em Oaxaca, México

A recordação funciona como uma das principais ferramentas para o desenvolvimento das ações ou intervenções de Edgardo Aragón. A referência aos acontecimentos ocorridos dentro de sua própria família demarca e determina a direção do vídeo.

José Antonio Vega Macotela
Nasceu na Cidade do México, México, 1980; Vive na Cidade de México, México

Time Divisa é um projeto que através de 365 intercâmbios com presos do cárcere de Santa Martha Acatitla, explora a possibilidade de substituir o dinheiro por favores mútuos como sistema de troca. No intercambio escolhido para a exposição, foram levantados todos os papeis necessários para liberar “O palhaço” do cárcere; e, como troca, o mesmo deveria reconstituir o mapa completo da prisão através de seu percurso, registrando em desenho cada um de seus passos ficando em branco todos os lugares que não se podem acessar, espaços estes que se encontram as estruturas de poder.

Gilberto Esparza
Nasceu em Aguascalientes, México, 1975; Vive na Cidade do México, México

A obra pertence a série Parasitas Urbanos criada pelo artista em 2007. A intenção foi criar formas de vida que subsistissem a custa de fontes de energia geradas pela espécie humana, e que poderiam facilmente integrar o contexto urbano.

Pablo Sigg
Nasceu na Cidade do México, México, 1974. Vive na Cidade do México, México

Entre os anos 1926 e 1928 Ludwig Wittgenstein e o arquiteto Paul Engelmannn desenharam e construíram em Viena uma casa de estilo modernista para Margaret Stonborough, irmã de Wittegenstein. Kundmanngesse (nome com que os Wittegenstein chamaram comumente a casa) é uma maquete realizada em papel cartão do único projeto arquitetônico do filósofo Vienense. A peça é parte de uma série de obras sobre Wittegenstein, da qual é pretendido uma reflexão sobre a representação do evento e, nesse caso, sobre sua recriação precária.

Colaboração: Galeria Kurimanzutto, Cidade do México, México
Galeria OMR, Cidade do México, México
EDS Galeria, Cidade do México, México